A turma dos gritinhos mágicos

  

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Histeria coletiva, ao jeito de uns Beatles, para acolher a estreia ao vivo a solo em Lisboa de Niall Horan, o tal rapaz loirinho que em tempos alinhou no fenómeno One Direction. O Coliseu dos Recreios esteve à cunha naquele que foi o último show da digressão europeia do cantor de 24 anos.

O concerto estava marcado para cedinho, com início às 19h30, a combinar com a idade das fãs, que ainda ontem eram umas crianças. Mas o ambiente ganhou tons de festa, na Rua das Portas de Santo Antão muitas horas antes do espetáculo começar, com uma fila de fãs a perder de vista, cantando os hinos deste seu ídolo britânico alto e bom som, não escondendo a excitação sentida. Por cada 374 raparigas, encontrámos um rapaz. À porta ficaram os pais extremosos, meio angustiados por deixar as suas crias partir para aquele que seria, para muitas, o primeiro concerto das suas vidas. Foram rosas senhores, aos montes, aquilo que as normas de segurança para entrar no recinto deixaram à porta do Coliseu dos Recreios.

Lá dentro, Julia Michaels assegurou a primeira parte, formosa e segura. E a multidão não se esqueceu de cantar a preceito o single da banda sonora de As Cinquenta Sombras de Grey, um filme que, paradoxo, a maioria ali presente ainda não tem idade legal para assistir.

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Fotografias por Nuno Andrade

Depois chegou Niall, sorridente, flirtando com decência com as miúdas que reagiam sempre aos gritinhos. "Olá", disse ele. E elas gritaram. "Bem-vindas". E elas gritaram. "É bom estar de volta". E elas gritaram. "A Julia disse-me que vocês são o melhor público da Europa". E elas gritaram. Foi assim ao longo de todo o concerto. Sempre no mesmo timbre e com a mesma intensidade, como se fosse um coro ensaiado ou uma gravação da qual alguém na régie carregasse no Play. Se ele tivesse dito que tinha comido um hambúrguer ao almoço a reacção teria sido igualzinha, sem tirar nem pôr.

Menção honrosa para a equipa de sala, fantástica na assistência às fãs mais nervosas ou ruborizadas, necessitando de uma palavra de conforto ou um copo de água. Não é só na Altice Arena e na Eurovisão que os portugueses dão cartas na organização, ficou ali provado.

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Niall trouxe consigo o pop mellow do álbum Flicker, o tal dos singles This Town e Slow Hands, mas no alinhamento inclui ainda uma versão de Dancing in the Dark, de Bruce Springsteen – os pais das fãs devem ter gostado – e ainda Fool's Gold e Drag Me Down, estes dos tempo dos One Direction. Mais gritinhos, claro.

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