Aos Arctic só lhes faltou Nine Inch Nails assim...

  

 

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De todos os recantos do país e, cada vez mais, de outros países também, chegam de carro, autocarro ou comboio ao Passeio Marítimo de Algés para uma maratona musical de quase 12 horas diárias. Lá dentro do recinto, há que "fazer piscinas" entre os 6 palcos musicais, pois o difícil é escolher o que ver e ouvir e mantermo-nos fiéis a essa agenda. Pelo caminho, há amigos para encontrar e outros novos que despontam. No primeiro dia do Nos Alive'18 estas tradições foram respeitadas.

Miguel Araújo e António Zambujo já foram muitos felizes juntos nuns impressionantes 28 concertos nos coliseus de Lisboa e Porto. Esta quinta-feira, no primeiro dia da 12ª edição do NOS Alive, os destinos destes músicos voltaram a cruzar-se, com o primeiro a inaugurar, em tom morno, o Palco NOS e o segundo a ter tempo de antena em horário nobre no EDP Fado Café.

Concentremo-nos então no palco principal desta festa de 3 dias para sentir o termóstato do ambiente. Bryan Ferry, essa lenda ex-Roxy Music, provou ao vivo que aos 72 anos continua a ser um gentleman, um verdadeiro artista agora mais digno de um casino do que de um festival com um público tão jovem, incapaz de reconhecer o lugar do cantor na história da música. Apenas os festivaleiros mais "maduros" vibraram com clássicos como Avalon, Love Is the Drug ou Slave to Love, num alinhamento que (que pena!) deixou de fora o romântico More Than This.

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Numa reviravolta sonora de 180 graus, virados do avesso, penetrados pelo impressionante magnetismo em palco de Trent Reznor e companhia, eis que os festivaleiros se entregaram por fim ao pulsar da música, naquele que foi o melhor concerto deste primeiro dia. A estética visceral dos Nine Inch Nails arrebata o espetador, tanto pela coesão do som como pelas ilusões visuais (luzes e captação vídeo). Impossível desviar o olhar ou não nos deixarmos abandonar naquele caos suado. Saboroso de tão cru que é. Closer e Hurt (este na despedida) foram os highlight óbvios num alinhamento que ilustrou 30 anos de carreira.

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Depois da tempestade, veio a bonança, com os Snow Patrol regressados ao festival sete anos depois e já com a promessa de um concerto a solo no Campo Pequeno a 16 de fevereiro. Um excelente date para as celebrações de São Valentim já que a banda escocesa é perita a falar de e para o coração. Apesar das dificuldades técnicas, o concerto foi competente a reproduzir um repertório meloso e algo monocórdico. A banda ganhou, porém, o prémio Simpatia.

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Já aos Arctic Monkeys, a alegada cereja no topo do bolo, faltou-lhes o chantilly. O novo álbum, o sexto do seu currículo, aborrece grande parte dos fãs do quarteto de Alex Turner. A banda parece ter-se esquecido dos tempos de garagem, quando só o rock, as guitarras sujas, o desafio, importavam. Agora usam blazer em vez de blusões de cabedal... é preciso dizer mais?

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Nos palcos Clubbing e Sagres, os mais resistentes do recinto, Papillon e Orelha Negra, Wolf Alice, Friendly Fires e Blasted Mechanism fizeram estragos, no bom sentido. Hoje atuam por lá Japandroids, Eels, Yo La Tengo, Portugal.The Man, Rag'N'Bone Man ou Future Islands. No Palco NOS dominam Black Rebel Motorcycle Club, The National, Queens of the Stone Age e Two Door Cinema Club. Por motivos de doença do vocalista, os The Kooks foram substituídos pelos Blossoms.

(Fotos de Arlindo Camacho)