Não há melhor banda, não há melhor homem

  

2018 NOS ALIVE PALCO NOS Pearl Jam ARLINDO CAMACHO 0010

Eddie Vedder é o Peter Pan de Seattle, assim como Jack White é um Eduardo Mãos de Guitarra. No último dia do NOS Alive'18, os Alice in Chains levaram-nos ao País das Maravilhas do Grunge.

Eddie Vedder é das mais unânimes figuras rock dos nossos tempos. Para elas, ele é um semi-deus sem idade que apetece guardar na algibeira, levar para casa, apresentar aos pais e depois fechar a porta do quarto. Para eles, é um dude à maneira, companheiro de "surfadas" e copos. Para uns e outros, é uma das mais singulares vozes de sempre, não só do grunge mas do rock em geral, o mito de uma geração, um cidadão preocupado com o mundo em que vivemos que usa o palco e a fama para propagar as suas mensagens políticas e cívicas. Imaginem o que seria um mundo só de pessoas assim... impossível de encontrar um homem melhor, bem diz a canção, a segunda a ser entoada no Palco NOS.

Regressados aos NOS Alive oito anos depois, os Pearl Jam fizeram esgotar o último dia do festival ainda não era Natal. E ontem os duendes festivaleiros puderam finalmente dar sinais da sua devoção em mais de duas horas de espetáculo. Low Light, Do the Evolution, Even Flow, Daughter, Jeremy, Can't Deny Me, Black, Porch e Alive marcaram presença no alinhamento de 24 temas, onde houve espaço para uma cover de Imagine (John Lennon) e de Interstellar Overdrive (Pink Floyd). A banda psicadélica voltaria a ser evocada com Comfortably Numb, que derivou para Seven Nation Army dos White Stripes. Jack White, que atuara antes, terminara precisamente a sua prestação com esta faixa. Mais tarde, faria companhia aos Pearl Jam para tocar o derradeiro tema, Rockin' in the Free World.

2018 NOS ALIVE PALCONOS JACK WHITE JOAO SILVA 0011

Pela terceira vez em solo português, a segunda em nome próprio, este virtuoso elétrico deu-nos a provar os lados A, B e Z da sua carreira, tantas são as colaborações e projetos que abraça, tamanho é o seu repertório. Não faltaram os hinos da banda formada em tempos com a ex-mulher Meg, assim como passagens dos The Racounters, numa performance que agradou às 55 mil pessoas presentes no Passeio Marítimo de Algés. Antes fora a vez dos Franz Ferdinand assinarem um concerto de carreira, ainda de dia, dançável e esforçado, que deixou explícita a genialidade, nunca mais depois replicada, do seu primeiro álbum.

20180714 NOS ALIVE Alice in Chains ARLINDO CAMACHO 0017

Com um novo álbum quase, quase a sair do forno, os Alice in Chains chegaram ao Palco NOS na qualidade de veteranos do grunge. Ainda hoje há quem os defenda como "melhores" que os Pearl Jam ou os Soundgarden. Façamos aqui uma pausa para contar que o baterista dos Pearl Jam vestia uma tshirt da banda de Chris Cornell e que os Alice in Chain dedicaram um tema aos "seus queridos falecidos". Adiante. So Far Under é o primeiro single do disco (o 6º) a lançar em agosto, intitulado Rainier Fog. Mas o que os fãs queriam era entrar numa cápsula temporal rumo à sua adolescência, quando a banda ainda tinha o falecido Layne Staley como vocalista e não William DuVall. Também repetentes em Algés, os músicos deram um dos melhores concertos da noite, não obstante ainda ser dia. Porque quando há alma não são precisos mais artifícios.

A maratona musical no palco principal começara com os The Last Internationale. Se Delila Paz é uma espécie de Janis Joplin que hipnotiza o público com o seu timbre rouco e rodopios em palco, já o guitarrista Edgey Pires puxou das suas raízes minhotas (Arcos de Valdevez) e comunicou várias vezes com a plateia na nossa língua. Que era um prazer regressar, que se sentia português, que torceu pela nossa seleção no mundial (tinha até uma camisola), tudo disso foi dizendo. Também pediu que sentissem a música como se não houvesse amanhã. «Força, ca**lho!!», cuspiu de repente. O mesmo terá pensado quem, mais tarde, assistiu ao concerto dos At the Drive-In no Palco Sagres, um momento fugaz, ginasticado e intenso.

20180715 NOS ALIVE AT THE DRIVE IN HUGO MACEDO 192

Para o ano o NOS Alive regressa a 11, 12 e 13 de julho. Foi anunciada uma nova parceria entre a promotora Everything is New e a Câmara de Oeiras de modo a garantir a realização do festival nos próximos cinco anos. «É importante criar melhores condições de mobilidade, de acessibilidade e de segurança. Portanto, vão assistir a transformações na paisagem física, particularmente na ligação ao rio», avisou o edil Isaltino Morais. «Estamos todos orgulhosos e satisfeitos com o nível de excelência que este festival atingiu», rematou.