10 momentos da 24.ª edição do SBSR

  

SRSR

Festival do Parque das Nações, em Lisboa, regressa no próximo ano de 18 a 20 de julho.

Parkinsons

The Parkinsons
O "punk não está morto", pelos menos enquanto a banda natural de Coimbra, radicada em Londres e que este ano atingiu a maioridade andar por aí. Com a responsabilidade de abrir a maratona musical na 24ª edição do SBSR às cinco da tarde, em dia de semana, foi mais que natural a ausência de festivaleiros no concerto. Nada disto afetou, porém, a performance dos músicos, nomeadamente do frontman Afonso Pinto (aka Al Zheimer), que de tanta entrega quase engolia, literalmente, o microfone e o público, para o meio do qual foi espalhar o seu charme punk.

Ze Pedro

Tributo Who the F*uck is Zé Pedro
Nome incontornável na história da música nacional, o falecido guitarrista dos Xutos & Pontapés deixou um repertório infinito (espalhado por diferentes projetos) mas também a amizade como marca. Assim ficou provado no desfile de artistas de backgrounds tão diferentes que fez questão de subir ao palco para homenageá-lo. E muitos outros desejariam lá estar, conforme afiançou Carlão, um dos convocados a par de Paulo Gonzo, Capitão Fausto, Manel Cruz, Manuela Azevedo, João Pedro Pais, Rui Reininho, Ladrões do Tempo e Palma's Gang. O núcleo duro da banda suporte seria composto por "parentes" mais próximos: Sebastião e Vicente (filhos de Tim) Joe (filho de João Cabeleira), João (filho de Gui), António (sobrinho de Zé Pedro), Marco e Fred (sobrinho e filho de Kalú, respetivamente).

XX

The XX
Esta é uma daquelas histórias de amor entre uma banda e o público português que ainda não perdeu a sua chama. Talvez porque as canções do duo britânico sejam feitas de múltiplas camadas que apetecem descobrir em cada audição ao vivo. A tal metáfora da cebola. Ou como quando provamos um tiramisu e não temos bem a certeza de qual ingrediente gostamos mais, se do creme, se da bolacha. Há quem os ache demasiado simplistas, mas isso é só porque ainda ouviram os seus álbuns com ouvidos de ouvir. Fica aqui lançado o TPC.

Slow J

Slow J
João Batista Coelho, vulgo Slow J, é o único artista que atuou três vezes consecutivas no SBSR e logo em três palcos distintos. Cada concerto valeu-lhe a promoção para um palco maior. E nesta 24ª edição abriu o segundo dia de festa da Altice Arena. «Vocês são bué de pessoas e eu não sei bem o que é que isso diz», confessaria o rapaz que avisou os jovens presentes para lutarem pelos seus sonhos, por mais mirabolantes que pareçam. Ouvir Slow J é encontrar um artista com uma voz própria, é o que diz tanta gente junta. No dia em que o festival virou mais "Super Bock Super Hip Hop" também Proj Jam (com problemas técnicos que o obrigaram a 3 entradas em palco e pausas para resolver problemas) e Travis Scott (com muito mosh) deixaram explícito que os ritmos rap estão cada vez mais comerciais. Nada contra, tragam é sempre do bom, sim?

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Anderson .Paak & The Free Nationals
Funk, hip-hop, soul, R&B e rock, tudo isto coube na sopa musical servida pelo músico norte-americano, naquele que foi o melhor concerto do SBSR'18. Baterista e cantor, anunciando assim já fica evidente o imenso talento deste artista que já atuara por cá, na primeira parte do show de Bruno Mars naquela mesma sala, a Altice Arena. Nota máxima às condições sonoras, ao virtuosismo dos músicos e à musicalidade que se contagiou pela plateia, obrigando-nos a dançar sem pudores. O pior deste concerto foi ter acabado.

Baxter Dury

Baxter Dury
Chegou ao SBSR com o selo "filho de" – neste caso de Ian Dury dos Blockheads, uma referência musical britânica dos anos 70 – mas rumou a casa com o prémio de "presença em palco mais louca". Tudo é estranho e tudo faz sentido na estética de Baxer, que é o mesmo que dizer que tudo é possível, a qualquer momento. Há um homem de fato que, de tanto se contorcer, mais parece um louco num colete de forças. Houve glam dos anos 70, um quase rap, pop piroso, gargalhadas histéricas, letras muito pouco politicamente corretas, linhas de guitarra-baixo pujantes, vozes femininas encantatórias, e muitos outros coelhos da cartola neste concerto revelação, o melhor serviço público que o SBSR fez aos seus festivaleiros.

The The

The The
«Não tive a noção de que sentia a falta dos palcos até voltar a um», confessou Matt Johnson neste regresso, 18 anos depois, a palcos nacionais. A banda cuja carreira é bem mais longa que a média de idades do festivaleiro típico do SBSR fez ir ao Parque das Nações melómanos que há muito haviam decidido que este tipo de eventos são "uma canseira". Mas não para ver uma banda que marcou a sua juventude e que, imagine-se, não se apresenta nada decrépita em palco, pelo contrário.

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La Fura dels Baus
Numa parceria com a escola de artes circenses do Chapitô, o célebre coletivo catalão marcou presença no SBSR. Uma verdadeira e louvável novidade em festivais de música nacionais e que ali se segmentou em dois momentos. O primeiro, de 20 minutos e em jeito de teaser, começou antes do tempo, logo houve quem tivesse perdido a oportunidade de apreciar tão interessante coletivo teatral. Já no segundo segmento, uma marioneta gigante carregou ao colo uma cantora e depois dezenas de performers assumiram o papel de estrelas dançantes numa espetacular ilusão visual. Pecou por curta a atuação, numa espécie de "serviços mínimos". Não foi uma refeição completa mas um simples "hors d'oeuvre".

Benjamin e ana

Benjamin Clementine
Ainda há uns meses este talentoso artista protagonizou uma digressão nacional esgotada, mas nem isso afetou a quantidade de público que fez questão de rumar à Altice Arena para o aplaudir. No Campo Pequeno o músico cantara embrulhado numa bandeira de Portugal. Ali despediu-se com uma imagem no ecrã gigante desse símbolo nacional com a frase "Eu vou-me lembrar de Portugal para sempre". Prometeu um dia aprender a nossa língua, mas antes disso convidou "a mais autêntica das vozes" nacionais, a fadista Ana Moura, para um dueto em I Won't Complain. Tocou no público e para o público. Bom, como sempre.

The Voidz

Julian Casablancas & The Voidz
O novo projeto do ex-líder dos Strokes nem sequer usou pirotecnia pelo que escusava de ter "fritado" em palco. Este foi o pior concerto, não foi da 24ª edição mas sim de todas as 24 edições do festival. Chamar "som" ao que se ouviu na Altice Arena é uma heresia de tanto que feriu os feridos dos presentes. Estes, já escassos milhares ao início, foram debandando até Casablancas ficar a cantar para as paredes. Ali é que tinha dado jeito o jogo de espelhos gigantes instalado lá fora, no túnel de passagem entre a arena e o Pavilhão de Portugal...

(Fotos de Nuno Andrade)