Entrevista a Vasco da Gama: “Isto dos aviões é uma moda passageira”

  

VascodaGama

Apanhámos Vasco da Gama numa marisqueira, a marcar a festa de celebração dos 520 anos da chegada à Índia. O Almirante-Mor aceitou falar à Forum e recordou a viagem que o celebrizou.

Qual a primeira recordação que tem, depois de atracar em Kappakadavu, a 27 de maio de 1498?
É certo que se passaram 500 anos, mas nunca me vou esquecer desse momento. Lembro-me que um dos meus marinheiros olhou para a paisagem e disse “isto da Índia até é bonito”. E que os outros marinheiros abanaram a cabeça em concordância, como quem diz “devíamos viajar mais vezes e tal”. 

Quais foram os principais obstáculos com que se depararam?
Bem, ali por altura do Cabo da Boa Esperança tivemos uma situação complicada com um barbudo que se identificou como “Adamastor”. O sujeito teimava em dizer-nos que não valia a pena avançar. Dizia que “isto a partir daqui o mar está cheio de buracos, não dá para passar” (risos). Estranhámos que o mar tivesse buracos e continuámos.

E tudo acabou por correr bem…
Sem dúvida! Repare que começámos a viagem a 8 de julho de 1497. A viagem demorou uns meros 11 meses. Foi um tirinho.

Algum segredo para o sucesso?
Eu diria que há duas coisas fundamentais: andar à bolina, ou seja, em ziguezague contra o vento, e abrir a rota para sul em mar aberto, como quem vai para Serra Leoa e depois corta.

Olhando para os transportes do presente, qual é o seu comentário?
No outro dia andei de avião e pensei: “mas que estupidez – fazer milhares de quilómetros em meia dúzia de horas? Mas que graça é que isto tem?”. Repare que, se eu tivesse escolhido ir de avião até à Índia, teria vários problemas, nomeadamente em descobrir como construir um aparelho de metal que, apesar de pesar toneladas, consegue voar. Mas enfim. Acho que isto dos aviões é uma moda passageira.

Alguma mensagem final para os leitores da Forum?
Gostaria de mandar um abraço para o pessoal de Sines. É certo que sou o Almirante-Mor dos Mares da Arábia, Pérsia, Índia e todos os Orientes. Mas não esqueço as minhas raízes. Hashtag Sines represent, como diz a rapaziada nova.