Academia IPStartupWeek #4: entre a vocação e a aprendizagem

  

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No quarto dia da Academia do Empreendedorismo, os participantes foram responsáveis pela criação de uma imagem associada à oferta formativa da Escola Superior de Tecnologia de Setúbal. À noite, tempo para um peddy-paper pelo campus do Politécnico de Setúbal.

Existe uma vocacão empreendedora? Segundo o professor da Escola Superior de Tecnologia de Setúbal, Fernando Valente, a resposta é mais complexa do que um mero “sim” ou um “não”: “um estudo de 2008 mostra que 48% da capacidade empreendedora é inata e que 52% é resultado de competências adquiridas”. 

O dado foi destacado durante a apresentação que iniciou os trabalhos do EmpreendLab – a atividade que iniciou os trabalhos do quarto dia de IPStartupWeek. Durante cerca de 40 minutos, Fernando Valente conduziu uma apresentação em que o seu principal objetivo passou por “desconstruir alguns dos mitos associados ao empreendedorismo – algumas ideias ‘de café’ que acabam por inquinar a perceção do público”. Uma das principais ideias a reforçar, explicou o docente, centra-se na noção de que “errar faz parte do processo e não nos enfraquece – torna-nos mais fortes”.

Conhecer para comunicar
Este laboratório de empreendedorismo centrou-se nos 52% – nas capacidades adquiridas. O objetivo passou por desenvolver as competências dos estudantes, através da criação de uma imagem associada a quatro das áreas da oferta formativa da EST: Mecânica; Automação, Robótica e Instrumentação; Eletrónica e Eletrotecnia; Ambiente e Mar.

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Para tal, os estudantes começaram por visitar os laboratórios associados a cada uma destas áreas. Depois, seguiu-se o trabalho de grupo, discutindo as melhores formas de veicular uma mensagem visual. A partir daí, chegou a altura de efetivar as ideias, construindo, com recurso a diversos materiais, uma t-shirt com o logótipo associado à “marca”. No final, os estudantes fizeram uma breve apresentação dos resultados finais do trabalho, “vendendo” o seu produto.

De acordo com a professora responsável pela orientação desta atividade, Rossana Santos, esta atividade, ao incluir diversas fases, permite aos participantes obter uma visão integrada do pensamento inovador: “os participantes acabam por compreender o início, o meio e o fim do processo criativo”.

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Para Rossana Santos, neste processo, os estudantes colocaram em evidência a sua capacidade de observação, “de forma a conseguir focar o que é mais importante”. Por outro lado, uma vez que a apresentação foi relativamente curta, o trabalho envolveu uma vertente de “síntese e capacidade crítica” para que fosse cumprido o objetivo: “a criação de produtos que identifiquem a área do saber e que tenham impacto visual”.

Relatando o que mais a marcou nesta experiência, a participante Margarida Dias de Sousa, de 16 anos, salienta o trabalho em equipa envolvido: “conseguimos chegar a um consenso, num grupo de 12 pessoas – o que nem sempre é fácil”.

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Na visita ao laboratório, acrescenta Margarida, os participantes encontraram alguns elementos que captaram a sua atenção e, sobretudo, os surpreenderam. “Tinhamos uma ideia geral, a partir do nome da área que nos foi atribuída”, conta, acrescentando que “elementos menos convencionais que são utilizados no laboratório acabaram por tornar o tema mais interessante”.

O resultado final, acrescenta a participante, foi influenciado por estes elementos inovadores – como espelhos ou bolas de plasma – que acabaram mesmo por integrar a imagem final. “A visita melhorou o nosso desempenho – uma bola de plasma é bastante mais interessante do que uma lâmpada convencional ou circuitos elétricos”, conclui. 

O fator “E
“Imaginem que estão num país estrangeiro e são convidados para um evento. Nesse evento, encontram seis grupos diferentes entre si. Qual dos grupos escolheriam?”. Esta foi a pergunta de partida da atividade Sabes se tens o fator “E”?, onde os participantes da IPStartupWeek puderam conhecer melhor a sua própria vocação.

O momento inicou com a escolha, por parte de cada participante, do grupo com que mais se identifica. As características dividiam-se em “Pessoais, ambientais e ocupacionais” e, no cruzamento entre estas, formaram-se seis tipos de perfis que cada participante escolheu.

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Os estudantes foram depois divididos “fisicamente” agrupando-se de acordo com as suas preferências. No passo seguinte, foram reveladas algumas das profissões associadas a este conjunto de características: “Fazedores”, “Pensadores”, “Artistas”, “Ajudantes”, “Persuasores” e “Organizadores”.

Já perto do final da sessão, o professor Pedro Belo Santos, da UAID-IPS, explicou que os participantes fizeram “uma versão do teste Riasec – um teste vocacional que ajuda a escolher profissões”. Nesse sentido, foram os estudantes que escolheram o grupo dos “Persuasores” que foram identificados como sendo possuidores “do fator ‘E’”. Contudo, destacou Pedro Belo Santos, este fator é passível de ser desenvolvido, através de atividades como o IPStartupWeek.

Um passeio nocturno
Depois de jantar, os participantes da Academia do Empreendedorismo puderam ficar a conhecer o campus do IPS, através de um peddy-paper que envolveu jogos e dinâmicas de equipa em várias escolas, na associação académica e no clube desprtivo.

Para além deste objetivo, explicou o Vice-Presidente da Associação Académica do Instituto Politécnico de Setúbal, Claudiu Marinel, esta atividade teve ainda o propósito de “dar a conhcer a oferta formativa do IPS, ao nível das licenciaturas”. Durante o jogo, os participantes “colecionaram” os vários cursos de 1.º ciclo, distribuindo os mesmos por envelopes com o nome das diferentes escolas.

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Representando os 6500 estudantes do IPS, a AA-IPS presta diferentes apoios e “não se fica apenas pelas festas académicas”, salientou Claudiu Marinel. Para além de facilitar o acesso a estruturas como cacifos ou bicicletas, esta associação serve ainda de ponte com os serviços de ação social.

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Um dos exemplos prende-se com o programa de atribuição de apoios sociais aos alunos que não conseguiram bolsa de estudos. Através da prestação de serviços ao IPS, estes estudantes conseguem obter uma redução na propina. Neste processo, a AA-IPS é responsável pelas entrevistas aos alunos e por fazer o encaminhamento para os trabalhos mais adequados a cada perfil.