O livro (que não é livro) de Carolina Deslandes

  

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Chega amanhã, 20 de outubro, às livrarias o livro de Carolina Deslandes. Que, na verdade, não é um livro, como a própria deixa bem claro no título. Para Carolina esta é uma porta de entrada para os seus pensamentos e sentimentos.

"Esta é a história de quem tem medo de virar pó". Desde sempre, Carolina Deslandes tem a "necessidade física e psicológica de escrever, de dizer coisas e de pensar sobre coisas" e, porque perdeu a ilusão de céu e concluiu que, afinal, tornamo-nos pó, acredita que há histórias que devem permanecer além dela. E é assim que, através de "Isto não é um livro", que também ilustrou, a cantora abre a porta de sua casa e convida os leitores a entrar.

Segundo Carolina Deslandes esta é uma compilação de "histórias que vivi, que imaginei ou que me foram contadas por alguém e eu decidi escrevê-las com medo que se perdessem para sempre na correria do mundo".

Carolina Deslandes começou a ganhar identidade enquanto artista aos 15 anos, quando se juntou a alguns amigos e começou a fazer refrões de hip hop e a tocar em vários bares na zona de Lisboa, mas foi a participação na 4ª edição do "Ídolos", em 2010, onde acabou em 3º lugar, que a deu a conhecer ao grande público. Em 2012 e, depois de estudar na London Music School, lançou o primeiro disco "Carolina Deslandes". O segundo álbum será lançado em 2016.

Lê aqui um excerto do "Isto não é um livro":

#9. Avô

"Promete-me que vais ser artista", disse-me o meu avô quando eu era pequenina. Depois deu uma passa no charuto que fumava a seguir ao almoço e fez-me uma festinha na cabeça. As mãos enormes, tão grandes que eu achava que podia lá morar em dias frios e esconder-me da chuva. "Promete." E eu dei uma gargalhada nervosa, olhei para ele e assenti. Na verdade, eu teria concordado com qualquer coisa que ele dissesse, porque ele sempre viu todas as cores da minha alma e sempre foi a melhor bússola para encontrar o que me faz feliz. Não há nada melhor na vida do que encontrar o Norte no ombro da camisola do meu avô, do que adormecer em camisas de flanela. Foi o meu berço de adolescente. Agora o meu avô só consegue falar com os olhos e sempre que me ouve cantar chora, chora muito mas sorri. E repito sempre: "Eu prometi avô. Eu prometi.", e os olhos dele respondem: "Prometeste e conseguiste."