Não tem Graça mas é lá que fica, na freguesia com este nome do concelho de Pedrogão Grande. A Barragem da Bouçã foi construída em pleno Rio Zêzere, «a jusante da Barragem do Cabril e a montante da Barragem do Castelo de Bode», conforme nos explicou o nosso guia nesta que foi a visita inaugural do 4º dia da Academia da Energia. Datada de 1955, lá por dentro, em cada piso inferior e substrato vasculhado pelos participantes desta iniciativa, bastante maquinaria e mobiliário são ainda dessa década. A sensação que os jovens convidados da Forum Estudante e da Adene, com o apoio do Instituto Politécnico de Castelo Branco (IPCB), tiveram foi a de uma viagem no tempo, portanto.

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Fascinados com tantos botões, alavancas, válvulas e alertas, todos ficaram a conhecer em detalhe as características e o funcionamento desta estrutura com 63m de altura, um coroamento à cota de 181m e 175m de comprimento, e um volume total de betão na ordem dos 70 mil m³. Impressionados com estes números? Isto é só uma amostra do muito que se aprendeu ao longo de duas horas.

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O mesmo se poderia afirmar da tarde proporcionada a estes rapazes e raparigas, já que o programa teve então como motor três workshops sobre diferentes temátias, realizados num pinhal de merendas, com vista para um lago. Divididos por grupos, os participantes aprenderam as vantagens e o modo de funcionamento de pequenos painéis solares, um recurso energético que o nosso país poderia explorar ainda mais ou não fosse ele conhecido pelo bom clima.

Num outro recanto, discutiu-se as potencialidades das câmaras fotográficas termográficas, que permitem comparações de temperatura sobre uma área ampla, ajudando a deteção de pontos quentes potencialmente problemáticos. Transformam uma radiação infravermelha invisível ao olho humano numa imagem visível e detetam a energia emitida por um corpo. A sua aplicação é vasta desta a deteção de fugas de gás ou o resgate de pessoas soterradas. Ou para eleger o estudante "mais brasa", como foi o nosso caso.

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Também em tom de competição amigável todos experimentaram, com diferentes graus de confiança e destreza, pedalar em bicicletas elétricas, uma tendência dos nossos dias. A oportunidade surgiu no âmbito do Projeto MOVELETUR – Mobilidade Elétrica em Espaços Naturais, inspirado no Turismo Sustentável. 

«Visa promover um modelo de utilização pública sustentável e limpo para os visitantes de áreas naturais transfronteiriças para o qual será desenvolvida uma rede de itinerários turísticos 'verdes' que liguem, utilizando veículos elétricos, os locais de valor natural e cultural destas áreas. O investimento total é de 900 mil euros, dos quais cerca de 700 mil serão disponibilizados pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) no âmbito do Programa INTERREG Espanha-Portugal (POCTEP). Além da Fundación Patrimonio Natural de Castilla y León (beneficiário principal) e do Instituto Politécnico de Castelo Branco, o projeto conta com os parceiros Ente Regional de la Energía de Castilla y León, Diputación de Ávila, Câmara Municipal de Bragança, Agência de Energia do Oeste Sustentável, a Associação de Desenvolvimento do Alto Tâmega e Barroso», explica o IPCB no seu site.

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Findos os workshops, tempo para o descanso dos "guerreiros" na piscina-praia de Castelo Branco, uma fantástica infraestrutura de lazer, com vários repuxos e pontes, grande área relvada e zona de restauração. Tudo isto aproveitaram os jovens, pelo que, para sermos honestos, o tal descanso foi quase nulo. Em disso, houve brincadeiras e acrobacias, dentro e fora de água, até sermos mais teimosos que o sol na hora de nos irmos embora. Ficou aquela sensação de que o que é bom, sempre acaba depressa demais não importa o tempo que dure. E pensar que amanhã é já o último dia da Academia...

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