A força da popularidade de Rick and Morty fica clara numa história que envolve… um molho para nuggets de frango. Na terceira temporada da série, em 2017, os autores decidiram fazer uma referência ao molho Szechuan que a McDonald’s lançou brevemente em 1998 para promover o filme Mulan.
Nesse mesmo ano, a empresa americana decidiu aproveitar a oportunidade de marketing e disponibilizar, durante um dia, esse produto. Para além de esgotar rapidamente, o interesse de centenas de pessoas fez com que fosse necessário chamar a polícia em vários restaurantes para conter as multidões que cantavam: “Queremos molho”.

A história é descrita pelo The Guardian num artigo de 2019 que analisa a popularidade de Rick and Morty, uma história de sucesso que descreve como “improvável”. “Esta popularidade é ainda mais notável por existir tão propositadamente fora do convencional”, explica o diário britânico, destacando como, por baixo de um enredo familiar típico das sitcoms americanas, se encontram elementos surreais e distorcidos como alcoolismo, trauma ou o existencialismo resumido na icónica frase de Morty: “Ninguém existe por que quer, ninguém pertence a lado nenhum, toda a gente vai morrer. Vem ver televisão”.
Uma história de sucesso
Foi em dezembro de 2013 que o primeiro episódio de Rick and Morty foi transmitido, a partir de uma colaboração entre Justin Roiland e Dan Harmon (o criador de Community). O sucesso chegou rapidamente, com a audiência a duplicar e triplicar ao longo dos primeiros episódios.
Ao longo das sete temporadas que se seguiram, Rick and Morty tornou-se um fenómeno global e já foi renovada até à 12.ª temporada, sempre, como no início, com a marca Adult Swim.
Muitos conhecerão a premissa do enredo. Rick Sanchez, o cientista mais inteligente do universo, vive com a família da filha e arrasta o neto Morty para aventuras intergalácticas e interdimensionais. Pelo meio, há muito humor negro e absurdo e uma ligação a conceitos como o niilismo, a identidade, o amor familiar ou o peso existencial. Pelos temas abordados e pela violência muitas vezes incorporada, a série é recomendada para maiores de 16 anos.
“Desde o primeiro dia que a série teve sucesso num tipo de honestidade desconcertante e incessante”, explicava em 2017 o portal Mashable, que sublinha como “a premissa de ficção científica se transformou gradualmente em algo mais de fundo, à medida que se destaca uma família que luta para tentar colar as peças partidas”. “O sucesso universal de Rick and Morty não vem de um lugar de conforto – nasce da dificuldadede tropeçar na realidade ilógica da existência humana”, acrescenta o autor Jess Joho.
Um spin-off com Presidente Curtis
Em 2025, foi anunciada uma nova série que expande o mundo de Rick and Morty. Trata-se de Presidente Curtis, um novo projeto criado por Dan Harmon e James Siciliano para a Adult Swin e que vai focar uma das personagens icónicas de Rick and Morty – o Presidente dos Estados Unidos da América Andre Curtis. A estreia está agendada para o final de 2026.
E a nova temporada?
A nona temporada de Rick and Morty vai estrear no dia 24 de maio em 170 países e 42 línguas diferentes – números que ilustram a popularidade global da série. A equipa de criadores sublinha, na descrição oficial, a autenticidade inerente ao trabalho realizado, distinguindo-o do que é realizado com ferramentas de Inteligência Artificial.
“Rick and Morty está de volta, baby!”, começam por destacar, realçando que não existe nesta temporada “nada de lixo IA [AI Slop], apenas lixo orgânico feito por humanos reais com traços humanos reais, como pelos nas costas e quistos”. “Por favor, vejam ou teremos negligenciado as nossas famílias para nada”, reforçam.






