Qual é a experiência de famílias em que vários elementos optam pela mesma instituição de ensino superior? Nesta série de artigos, vamos à descoberta deste lado familiar do Politécnico de Setúbal e das histórias de pais e filhos que se partilharam os mesmos corredores e salas de aula.  

Quando, em 2021, Alexandre e Rafael frequentaram a cadeira de Probabilidade e Estatística, escolheram não dizer que eram pai e filho. Ainda assim, partilharam mesa. “Apesar de termos o mesmo nome, a professora nunca soube da nossa relação familiar, explica Rafael, de 24 anos, que revela ainda entre sorrisos: “Como o meu pai perdia um pouco o foco, pude ‘vingar-me’ e dar-lhe umas cotoveladas para ele ficar atento” 

 

 

Alexandre Jesus, de 58 anos, entrou no CTeSP em veículos elétricos em 2016 no Politécnico de Setúbal simplesmente por “querer saber mais sobre este tema”. Nessa altura, trabalhava como chefe de cabine da TAP e, muitas vezes, “vinha dos voos direto para as aulas”. “Como era uma área que me interessava, tive sempre motivação”, conta. No final do CTeSP, graças ao regime de equivalências, decidiu seguir para a licenciatura em Eletrónica e Computadores. 

Esta ligação à aviação seria importante para o seu filho no momento de escolher uma profissão – piloto. “Em criança, pude ver muitas vezes o trabalho de um piloto e como as coisas funcionavam e isso criou em mim um fascínio”, conta. Já no curso de piloto, na altura da pandemia da Covid-19, ao ver o setor da aviação parado, decidiu entrar na licenciatura em Engenharia Mecânica, ramo Aeronáutica, que concluiu em 2025.  

 


Alexandre e Rafael chegaram a partilhar mesa enquanto estudantes de ensino superior, sem contar que eram pai e filho.


 

“Tinha boas informações do mau pai que já estudava no IPS e isso influenciou a minha decisão”, conta Rafael. O pai falava-lhe do ambiente familiar, da relação próxima entre estudantes e docentes e da componente prática dos cursos que privilegiam envolver os estudantes em projetos. “Isto permite uma melhor adaptação e maior motivação”, conta Rafael. “O ensino prático é uma mais-valia porque facilita a integração no mundo do trabalho”, concorda Alexandre.  

 

Ensino de porta aberta 

Atualmente, Alexandre trabalha como monitor de laboratório no Politécnico de Setúbal – uma função que o filho Rafael também já desempenhou. “Já são 10 anos de ligação ao IPS, já me sinto em casa aqui”, conta Alexandre, explicando que, neste trabalho, tem um contacto com professores e estudantes que lhe permite confirmar como “o ambiente é bom e saudável”.  

 

 

Rafael partilha um detalhe que considera ilustrativo da proximidade que marca a comunidade do IPS: “O gabinete dos professores é mesmo em frente às salas de aula e isso permite aos alunos tirar todas as dúvidas junto de um corpo docente muito capaz a nível académico e pessoal”. “Quer pelo ensino prático, pelos equipamentos ou pelos docentes, há uma abertura enorme para qualquer estudante chegar ao topo do seu potencial”, acrescenta, antes de concluir: “Podemos chegar ao mundo do trabalho com uma experiência superior do que estudantes de outras instituições e isso pode ser diferenciador”