A Biblioteca Nacional de Portugal (BNP), em Lisboa, acolheu na sexta-feira, 2 de outubro, entre as 16h00 e as 18h00, a cerimónia de entrega dos prémios "Conhecer Camões", "Ensinar Camões" e "Estudar Camões", uma das iniciativas das Comemorações do V Centenário do Nascimento de Luís de Camões. Os galardões destinam-se, por esta ordem, a alunos do Ensino Básico e Secundário, a professores desses níveis de ensino e a jovens investigadores até aos 35 anos.
A sessão contou com a presença do coordenador da Estrutura de Missão para as Comemorações, José Augusto Cardoso Bernardes, e do secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos. Subiram ao palco, para receber os diplomas, alunos de várias escolas do país, entre eles Samuel Costa, Miguel Coelho, Bernardo Valente, Marta Vicente, Leonor Fernandes, Diogo Pinheiro, Jéssica Oliveira e Vasco Peixinho, bem como professores como Susana Neves, Elisabete Pinto e Marta Felícia. Alguns dos premiados deixaram também o seu testemunho aos presentes.




"Trazer Camões para o nosso tempo"
Na intervenção de abertura, José Augusto Cardoso Bernardes explicou que os prémios procuram afastar as comemorações de uma lógica meramente cerimonial. "Assinalar os 500 anos do nascimento de Camões significa chamar a atenção para o papel que ele pode desempenhar ainda nas nossas vidas. Não se trata de comemorar passivamente, trata-se de trazer Camões para o nosso tempo e para o nosso quotidiano", afirmou.
O coordenador destacou também o poder agregador do poeta. "Numa sociedade onde não faltam divisões, haver algo que une torna-se precioso", disse, sublinhando que "celebrar a poesia é celebrar o ser humano na sua integridade", já que esta "incorpora contradições, não tem medo delas". 
"A única técnica de conservação eficaz é o leitor"
Já o secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos, recorreu ao desabafo de Camões em Os Lusíadas, o de cantar a "gente surda e endurecida", para defender que a poesia só perdura se houver quem a leia. "A única técnica de conservação eficaz que se conhece para a poesia chama-se leitor. Mas os leitores esses não se produzem em série (...) Fazem-se pacientemente, um a um, na sala de aula numa tarde de outubro como esta", afirmou.
O governante defendeu que o legado das comemorações deve passar por políticas públicas duradouras, como o investimento em bibliotecas escolares, a formação contínua de professores, edições anotadas acessíveis e tempo letivo para "ler devagar". Sugeriu ainda a criação de um espaço físico dedicado à memória do poeta. "Com certeza que deste modo não estaremos a cantar para gente surda", concluiu. 
Uma escultura 3D vinda de Baião
Entre os premiados esteve Samuel Costa, aluno do ensino secundário de Baião, vencedor do prémio "Conhecer Camões" na categoria D, destinada ao 3.º ciclo e ao ensino secundário. O jovem foi distinguido por uma escultura 3D analógica inspirada na obra de Camões, com o incentivo da professora bibliotecária, Florbela, e da família.
"Para mim é muito gratificante (...) é a primeira vez que me dirijo a Lisboa e é mesmo gratificante receber um prémio de uma dimensão tão grande num sítio tão importante que é a Biblioteca Nacional de Lisboa", afirmou o estudante, que manifestou ainda entusiasmo pelas atividades previstas para o fim de semana, entre as quais uma viagem e estadia, a bordo de uma caravela.
A BNP é um dos polos centrais das comemorações, com exposições como "No Rasto de Luís de Camões" e "Onde Terá Segura a Curta Vida? Camões e a Vida como Viagem", e a IX Reunião Internacional de Camonistas, organizada com a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.





