Vaping e tabaco aquecido
Ao longo dos últimos anos, o tabaco eletrónico ou aquecido tem vindo a aumentar a popularidade em todo o mundo. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que, em todo o mundo, pelo menos 15 milhões de jovens entre os 13 e os 15 anos fumem estes tipos de tabaco.
Na Europa, em 2024, 22% dos jovens com 15 e 16 anos revelou fumar regularmente cigarros eletrónicos, um crescimento de quase 60% face ao registado em 2019. Também o vaping tem vindo a crescer de popularidade e, de acordo com a SIC Notícias, há um “alerta preocupante” registado num estudo realizado em escolas secundárias nos Países Baixos – cerca de um terço dos jovens acorda durante a noite para utilizar o vape.
A SIC Notícias destaca que “a indústria [tabaqueira] tem anunciado estas alternativas ao tabaco tradicional como menos nocivas”, mas realça que “entre médicos e investigadores cresce a preocupação em relação a estes produtos”, com registo em Portugal de infeções graves resultantes do seu uso.
“Os vapes e o tabaco aquecido estão a conquistar cada vez mais jovens”, alerta a Direção-Geral da Saúde (DGS), sublinhando como o consumo destes produtos “traz consequências graves a nível pulmonar e cerebral, prejudicando o bem-estar”. Na sua página, a DGS elenca as razões pelas quais estes produtos provocam dependência e não são seguros para a saúde.
Quais as tendências de adição nos jovens entre os 13 e os 18 anos?
O Estudo sobre o Consumo Álcool, Tabaco, Drogas e outros Comportamentos Aditivos e Dependências (ECATD-CAD) foi elaborado em 2025 pelo Instituto para os Comportamentos Aditivos e Dependências (ICAD). Resultou da aplicação de um inquérito a alunos do ensino público português com idades compreendidas entre os 13 e os 18 anos. A investigação surge no seguimento da edição de 2019. Podes consultar o estudo completo aqui.
Jogo online
Em Portugal, o número total de jogadores registados continua a crescer, sendo que, de acordo com os dados do Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos (SRIJ) do Turismo de Portugal, a faixa etária entre os 18 e os 24 anos é a que, no último trimestre de 2025, regista maior percentagem de novos registos (32,4%).
«Da brincadeira ao vício». Porque é que cada vez mais jovens jogam a dinheiro?

Em Portugal, os jogos a dinheiro têm estado a crescer – em 2024, o setor teve um volume de apostas online superior a 20 mil milhões de euros. 68% dos jovens revela já ter “apostado a dinheiro em algum jogo”. Conhece a perspetiva de jovens que já contactaram com este mundo e a opinião de especialistas da área.
Por outro lado, cresce também o número de pessoas que se autoexcluiu do jogo online, uma possibilidade oferecida pelo SRIJ para todos os que sentem não ter controlo sobre a adição. Em 2025, esse valor cresceu 27% em comparação com o ano anterior, chegando às 326 mil pessoas.
Outro indicador relevante é o das receitas das casas de apostas, em que se regista um aumento de 9,6% em 2025, em comparação com o ano anterior. 2018 e 2025, as receitas do jogo online passaram de 109 milhões de euros anuais para 868 milhões, de acordo com os dados partilhados pelo SRIJ.
«[...] de acordo com os dados do Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos (SRIJ) do Turismo de Portugal, a faixa etária entre os 18 e os 24 anos é a que, no último trimestre de 2025, regista maior percentagem de novos registos [para jogar online] (32,4%)»
E qual a representatividade deste vício nos mais jovens? A atividade existe também entre os menores de idade, não abrangidos pela análise do SRIJ. De acordo com ECATD-CAD (ver caixa), em contexto escolar, 18,2% dos jovens entre os 13 e os 18 anos afirmaram ter jogado a dinheiro no último – quase 1 em cada 5 estudantes. Este valor representa um crescimento de 41% face a 2019. Dentro deste universo de jovens, as apostas desportivas foram as que mais aumentaram, entre 2019 e 2024, de 36,4% para 66,4%.
O caso do consumo de álcool
De acordo com o ECATD-CAD, regista-se um decréscimo “muito acentuado do consumo” de bebidas alcoólicas, entre 2019 e 2024, nos jovens entre os 13 e os 18 anos. A quantidade de jovens que bebeu nos últimos 30 dias desceu 9%, bem como 11% no caso dos que beberam nos últimos 12 meses. Depois de, em 2019, ter existido um “esbatimento entre as diferenças de género”, em 2024, regista-se que o consumo de álcool é uma prática mais feminina do que masculina, tal como os comportamentos de risco acrescido neste particular. Outro estudo do ICAD, sobre comportamentos aditivos aos 18 anos, mostra que, ainda que o consumo de álcool tenha diminuído, os valores são ainda elevados em Portugal – 77% diz ter ingerido bebidas alcoólicas pelo menos uma vez na vida, mais de metade (59%) nos 30 dias antes do inquérito.
Telemóveis
Um estudo dos investigadores da Universidade do Minho Sara Pereira e Daniel Brandão chama a atenção para o fenómeno da dependência dos telemóveis nos mais jovens. Em entrevista ao jornal Público, a investigadora Sara Pereira explica que “os alunos do 9.º ao 12.º ano admitem que passam muito tempo à frente dos ecrãs e dizem que gostariam de reduzir esse mesmo tempo, mas como é muito viciante, é-lhes muito difícil colocar os telemóveis de lado e desligarem-se”.
Maior interação, maior agressividade. Os efeitos da restrição dos telemóveis nas escolas

Grupo de investigadoras do Ispa - Instituto Universitário e do Agrupamento de Escolas de São Gonçalo estudou o efeito da restrição dos telemóveis nos alunos.
O estudo revela que os alunos admitem passar quatro horas por dia, em média, a utilizar o telemóvel, sendo que três destas são passadas nas redes sociais. São as raparigas que mais utilizam o telemóvel, uma diferença de cerca de 30 minutos diários, em média.
O tema do uso de telemóvel em espaço escolar registou desenvolvimentos recentemente, depois da recomendação do Governo para proibição de uso de telemóveis nas instituições de ensino ter sido algumas escolas a implementar regras para essa mesma utilização. Contudo, este passo poderá não estar a ser suficiente para combater a adição. Uma investigação da Universidade de Birmingham que envolveu mais de mil crianças no Reino Unido concluiu que a restrição do uso de telemóvel em contexto escolar não levou a uma diminuição do tempo total gasto no uso destes dispositivos.
Sentes que precisas de ajuda?
Caso sintas que tens uma adição, há passos simples que podes dar e que te podem ajudar. Aqui ficam alguns deles:
Linha 1414
Este é um serviço anónimo, gratuito e confidencial disponibilizado pelo Instituto para os Comportamentos Aditivos e Dependências (ICAD). Oferece apoio emocional e esclarece dúvidas sobre todos os tipos de comportamentos aditivos.
Linha SNS24
A Linha SNS24 permite-te pedir aconselhamento psicológico, sendo possível inscreveres-te num serviço online de ajuda para comportamentos aditivos. Depois da inscrição, contarás com a ajuda de uma equipa de apoio especializado para a adição.
Médico de família
Outra opção que tens à tua disposição é falar com o Médico de Família, relatando o que sentes. A partir desta partilha, poderás ser alvo de encaminhamento para consultas da especialidade em psicologia ou psiquiatria.






